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Nós três

Três amigas. Três mulheres. Nós três.

Domingo, 2 de Setembro de 2007

Eu não entendo (e nem eles)

Nosso relacionamento com nossos pais pode ser uma novela. Na verdade É uma novela, um novelão que só termina quando a gente ou eles morrem. Então é um novelão que não tem final feliz, só final triste. Que coisa. Acho que esse é um dos motivos pelos quais eu não quero ter filho (outros vocês podem conferir aqui).

Acontece que "de novo" eu quero sair da casa dos meus pais pra ter minha própria casa. De novo porque ano passado eu saí, passei 4 meses fora e tive que voltar - em partes por conta da chantagem emocional hardcore dos meus pais, em parte porque eu queria juntar dinheiro pra uma viagem que acabou não rolando por motivos de força maior, em parte por causa de um flatmate desagradabilíssimo que tornou o que era muito bom em uma coisa muito horrorosa em um mês.

Olha, eu tenho 25 anos, trabalho desde os 15, tenho meu dinheirinho. Moro longe, gasto boa parte do meu salário em locomoção - gasolina cara, estacionamentos absurdos, fora a manutenção do carro, IPVA, seguro, licenciamento, etc etc etc. Quero morar perto do meu trabalho, da civilização, dos meus amigos. Quero ter meu canto, quero acordar às 4 da manhã e fritar um hamburger se me der vontade sem ninguém me encher o saco! Quero poder fazer o que eu quiser, na hora em que eu quiser. Quero parar de mamar nas tetas de papai e mamãe.

E eles não entendem! Tudo bem eles ficarem tristes, mas gente, eles querem que eu more aqui até quando? Quarenta anos quem sabe? Que deprê! É assim mesmo? TEM QUE ser assim? O que eu faço?

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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

A perda

Se tem uma coisa com a qual acredito que ninguém sabe lidar direito é perder pessoas. Hoje uma pessoa muito querida de nós três perdeu alguém de suma importância. Nós vamos lá, dar abraços e simplesmente estar à disposição para o que houver, mas sabemos que não tem muito jeito.

Eu tento não pensar no inevitável momento em que algumas das pessoas que eu mais amo no mundo vão desaparecer. Imagino, por experiência similar, que a dor é inevitável. Se não há como se preparar para isso, melhor não estressar antes do inevitável.

Mas que dói, dói. E tudo o que eu queria agora era poder oferecer alguma coisa além do meu ombro. Ainda bem que a Rach vai estar lá, que ela sabe das coisas e vai ser o maior consolo que alguém poderia querer. Mesmo que não cure. Mesmo que doa sempre.

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Eu perdi algumas poucas pessoas na vida, felizmente poucas. Por mais que eu as amasse, sabia que eram idosas e que este era o caminho natural. Não eram meus pais, não eram irmãos, nem gente que se foi de forma violenta. Por que é que é tão difícil aceitar que uns se vão e outros chegam? Dói. Saudades, incompreensão, raiva, tudo junto num mesmo pacote.

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Nessas horas, eu só digo uma coisa: eu tô aqui para você. E para vocês todas :*

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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Vida fácil?

Depois de uma declaração bombástica da Lija, resolvi postar. A nossa vida é fácil? Quando digo “nossa” quero dizer “moças de classe média média da cidade grande com diploma universitário”.

Talvez pela ótica de uma pessoa que passa fome, seja a mais fácil das vidas. Para um milionário, deve ser uma vida complicada, cheia de malabarismos. Mas é só a grana que define nossas dificuldades?

Oquei, também temos boa saúde. Ou quase. Nada fisicamente grave, pelo menos. Eu poderia argumentar que somos malucas, mas não somos o suficiente para que seja um problemaço. Somos só maluquinhas-padrão.

Então por que tudo parece sempre tão difícil? Somos nós que dificultamos as coisas?

Minha irmã sempre diz que é impossível comparar problemas e eu acho que ela tem razão. É claro que eu não saberia sustentar uma família com salário mínimo. Mas será que a pessoa que faz isso saberia fazer melhor no meu lugar, com a minha história?

As minhas ferramentas para lidar com problemas são diferentes das outras pessoas. Eu tento melhorar, claro, lidar melhor com as coisas corriqueiras. Para isso conto com o excelente *paf* das amigas.

Mas resta a pergunta... como medir? Devo começar a me sentir culpada djá pelos meus problemas?

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