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Nós três

Três amigas. Três mulheres. Nós três.

Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Romance


Eu culpo as comédias românticas, sabe? Sempre houve o romantismo, de uma forma ou outra. Na nossa geração, os sonhos românticos são melhor representados pelas comédias românticas. Nascemos com elas, crescemos com elas e passamos a vida nos rendendo a elas.

E qual é o resultado? Passamos a acreditar - sem que a razão seja envolvida - que amor de verdade é aquele em que o cara foge da polícia para te encontrar no topo do Empire State Building em Nova York. Ou que você só vai saber que ele realmente te ama quando abandonar toda uma vida num lugar para dividir uma choupana com você no meio do deserto em algum lugar.

Coisas extremas, irresponsáveis e extremamente sedutoras. Coisas que fazem a gente, mulheres-meninas, sentir que somos as mais especiais do universo, inigualáveis, escolhidas pelas estrelas. E, como filmes mostram um tempo editado, o romance é intenso durante as duas horas em que leva para contar uma vida inteira. São arroubos de paixão e entrega sem precendentes, tão intensos que passam a ser... normais.

E as surpresas românticas deixam de ser surpresas para se tornarem coisas que a gente espera. E depois coisas que a gente exige. E, obviamente, viram frustrações, porque as nossas caras-metade não pretendem absolutamente viver como príncipes encantados.

Hoje eu acho que eles têm razão.

Como é cansativo ficar cobrando e chorando por essa intensidade maluca e artificial. Que desperdício de energia e de momentos tranquilos felizes. Que equívoco!

Eu culpo as comédias românticas. Queria ser ressarcida pela grana que vai me custar agora consertar a cabeça e as expectativas...

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Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Represas

Confesso que às vezes meu peito é como uma grande represa. A cada dia, deixo mais uma gotinha ser depositada ali e me calo. Abro um sorriso vazio, engulo as palavras e dou um consentimento contrário à minha vontade antes mesmo de ter tempo de refletir. É um tipo de covardia, um medo irracional de situações de confronto e momentos desagradáveis. E pior: tenho visto muita gente em situação parecida com a minha.

O problema não é apenas se a anular, o problema é que toda represa precisa de um alívio senão ela estoura. A torrente de palavras feias que sai dali é chocante para quem não tinha nem idéia de que existia um desconforto. Isso me incomoda, porque é sempre ruim perder a razão de bobeira, mas pior ainda é efetivamente ser injusta com a(s) pessoa(s) em questão.

Se o interlocutor for do sexo masculino, periga dele não ter nem idéia de que existia um desconforto. Vi essa cena mil vezes até aprender que assim não há relacionamento - seja de trabalho, amizade ou romance - que resista. Não gosto do extremo oposto, que é o barraco. Mas como diz meu querido pai, citando Buda de forma completamente empírica, o equilíbrio é fundamental.

Fica a pergunta: por que a gente faz isso? Eu nunca apanhei por reclamar educadamente de nada. Então por que tanto temor? Por que tanta coisa contida criando fantasmas gigantescos onde só havia uma formiguinha?

Já estive dos dois lados da explosão e sei o quão incompreensível é ver alguém explodindo (aparentemente) do nada, por uma bobagem. Não sou fã de pagar de louca por aí, estou fazendo o que posso - e progredindo bem - para evitar novas represas. Mas eu queria entender. Meninas, luz?

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Obrigada, Miriam Goldenberg

"A cultura constrói a mulher muito fragilizada sem um homem. É como se eles fossem objetos disputadíssimos, um objeto fundamental. Enquanto a gente não reverter isso, vamos continuar agindo como loucas, disputando atenção, achando que um telefonema pode mudar a nossa vida.

O que a gente precisa é reverter essa idéia de que uma mulher sem um homem é uma fracassada, uma mulher menos. No dia em que as brasileiras falarem: 'A minha opção é casar e ter filhos', 'a minha opção é não casar e não ter filhos', 'a minha opção é ter um filho sem casar', quando tivermos todo esse cardápio de escolhas, vamos ser livres.

Eu tenho nos meus dados que as mulheres invejam a liberdade masculina. Como pode? Depois de tudo o que a gente avançou? Isso é porque as mulheres não são livres!"


Íntegra da entrevista aqui.

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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Mais sabedoria popular...

... dizem que errar é humano, mas persistir no erro é burrice, né? Bem, erro ou não, como minhas amigas co-autoras desse blog já sabem, eu me meti num namoro à distância. Pela segunda vez na mesma vida.

E aí tou aqui no trabalho, recém-chegada do Rio, com uma ressaca emocional brabíssima, cercada por calendário, anotações de horários e preços de vôos CGH - SDA - CGH e a estranha sensação de que eu já vi esse filme.

Mas pode ser só o sono.

O fato é que depois de muito tempo eu resolvi deixar de racionalizar sensações e sentimentos. Mas como é difícil abandonar hábitos e conceitos que já moravam dentro da minha cabeça havia tanto tempo... como é estranho voltar a planejar coisas que eu achei que já tinham sido resolvidas e deixadas pra trás.

É tudo muito novo e dèja vu ao mesmo tempo. E não posso negar que a parte boa é boa demais. Só preciso dar um jeito de tornar a parte ruim mais tranquila até que ela possa ser resolvida de vez. Mas pra isso, vamos esperar as cenas dos próximos capítulos.

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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Mulheres são um saco!

Eu grito isso aos quatro ventos, sempre que me dão motivo.

É verdade, eu acho mulher um porre. Dissimuladas, frescas, paranóicas, loucas e chatas. O grande mistério da vida, pra mim, são as lésbicas: como mulheres conseguem gostar de mulheres? Sabendo o HORROR que é a cabeça de uma de nós, qualquer pessoa em sã consciência fugiria. Os homens a gente perdoa, deve faltar alguma coisa no cérebro deles mesmo, de nascença. ;)

Os homens são práticos, admiráveis. Não procuram pêlo em ovo, não são tão indecisos. São leais aos princípios e aos amigos. Fazem xixi em pé, ora vejam vocês!

Bem, achando as mulheres um porre do jeito que eu acho, é realmente um EVENTO eu ter duas amigas como a Rach e a Helena. Acredito que amo tanto as duas porque bastante de nossa relação consiste em dar tapas e puxões de orelha figurativos umas nas outras quando as piores características femininas começam a querer aflorar na gente.

Tá paranóica? *PAF* Tá de frescura? *PAF* Pensou em dissimular? *PAF*

E por aí vai. Eu sei que elas duas me fazem uma pessoa melhor. E eu tento colaborar pra fazer delas pessoas ainda mais maravilhosas do que já são. E no caminho a gente ri, chora, se abraça, conversa, se ajuda, dá bronca e se ama demaaaais.

Mulheres são um saco, mas têm jeito: só precisam ser bem treinadas! ;)

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