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Nós três

Três amigas. Três mulheres. Nós três.

Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Paris, je t'aime


Fui ver o novo filme francófono do pedaço este fim de semana. Paris je t'aime é uma idéia ruim: 20 diretores famoso fazem seu curta e juntam tudo num filme, em teoria, sobre Paris. E sobre o amor. Em Paris. A idéia é ruim porque 20 diretores famosos normalmente têm material para bem mais do que alguns minutos de filme. E 20 curtas diferentes inevitavelmente levam a assuntos diversos e desconexos.

Tudo isso acontece no filme, mas ainda assim vale a pena ir ao cinema. Dos 20, eu gostei muito de poucos. Mas o curta final, que postei no blog pessoal, é algo de tão bonito que vale todo o resto. Fala de uma mulher que já passou dos 40 e visita Paris pela primeira vez. Fala de uma mulher sozinha. Fala de felicidade, de tristeza, da vida, de escolhas. Fala de como viver. Não tem medo de ser ridículo, não tem medo de ser emocionante, não tem medo de se arriscar nos clichês.

É uma mulher vivendo um sonho e tendo uma epifania. É uma mulher que descobre como se sentir viva. Poderia ser em qualquer cidade do mundo, sinceramente. É em Paris porque é uma cidade muito bonita. Mas poderia ser na pracinha aqui da esquina. É reflexão. Eu comecei rindo dela e terminei querendo ser ela. Quero ser feliz como ela consegue, apesar de tudo. Quero me sentir viva como ela se sente.

Tenho certeza de que todas as minhas amigas vão entender este curta e vão se emocionar. É válido para gente de todos os sexos, mas com vocês eu posso compartilhar o que aquela mulher fictícia me fez sentir. E o melhor de tudo: tem o curta de graça no YouTube. Mas é claro que o impacto não é o mesmo da sala escura do cinema. Ainda assim, é válido. É lindo. Vejam e apaixonem-se.

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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Resolução

Tou em débito com esse blog, né gente? Mas eu tava pensando numa coisa aqui.

Acho que cansei de brincar de supermulher. Não quero mais. Acho que eu quero ser só mulher.

Sem mais para o momento, beijo.

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Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Exemplos

Ando pensando muito em que tipo de mulher eu quero ser quando tiver 35, 45, 55, 65 anos... E me dei conta de que não tenho uma mulher-exemplo. Mães não contam, porque conhecemos bem demais a realidade para idealizá-las. Não fui próxima das minhas avós, que infelizmente perdi cedo demais para perguntar o que eu gostaria de saber.

Acho saudável ter um ideal, desde que isso não force a imitação. Ideal inspirador mesmo, como algumas músicas são para momentos da vida. Por que não ter pessoas que nos inspiram? Para mim, a inspiração vem de mulheres fictícias. Mulheres mais velhas com as quais eu gostaria de ter coisas em comum quando chegar lá.

1. Antônia, de A Excêntrica Família de Antônia. Mulher, mãe, avó, bisavó, solteira, apaixonada, forte, tranquila, calma. Inspiradora, conselheira, matriarca. Apesar de não ter ambições dinásticas, eu gostaria muito de ter a sabedoria e a calma de Antônia.

2. Francis, de Sob o Sol da Toscana. Histérica, desesperada, louca, ousada, real. Perseverante, honesta. Manteve a força para se entregar, se conhecer, se arriscar. Artista, professora, senhora da mansão, cozinheira, refinada, culta, inteligente. Bondosa e generosa, abriga amigos e agregados para formar sua família sem laços de sangue.

3. Éowyn, de O Senhor dos Anéis. Uma guerreira, alguém não satisfeita com o que lhe foi imposto. Uma mulher que consegue se livrar de seus pré-conceitos para simplesmente ser feliz. Alguém que fez o caminho diferente, que fez diferença no mundo e que perdeu a arrogância. Linda :~

4. A combinação de Elinor e Marianne Dashwood, de Razão e Sensibilidade. Só funcionam juntas, como complemento. Elinor sozinha é contida demais, conservadora demais. Marianne sozinha é irresponsável demais, romântica demais. Juntas, se equilibram e viram uma entidade ideal, com sabedoria, paciência e uma pitada de ousadia.

5. Madame Olenska, de A Época da Inocência. Espontânea, honesta, sensível, sofisticada, sexy. Capaz de abrir mão do que mais queria em nome de um ideal, em nome de uma visão de mundo. Ok, um pouco conservadora demais depois de levar tanta porrada da vida, mas ainda assim um ideal.

Existem outras, mas me fogem à memoria agora. E vocês, meninas? Tem alguma musa?

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Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Romance


Eu culpo as comédias românticas, sabe? Sempre houve o romantismo, de uma forma ou outra. Na nossa geração, os sonhos românticos são melhor representados pelas comédias românticas. Nascemos com elas, crescemos com elas e passamos a vida nos rendendo a elas.

E qual é o resultado? Passamos a acreditar - sem que a razão seja envolvida - que amor de verdade é aquele em que o cara foge da polícia para te encontrar no topo do Empire State Building em Nova York. Ou que você só vai saber que ele realmente te ama quando abandonar toda uma vida num lugar para dividir uma choupana com você no meio do deserto em algum lugar.

Coisas extremas, irresponsáveis e extremamente sedutoras. Coisas que fazem a gente, mulheres-meninas, sentir que somos as mais especiais do universo, inigualáveis, escolhidas pelas estrelas. E, como filmes mostram um tempo editado, o romance é intenso durante as duas horas em que leva para contar uma vida inteira. São arroubos de paixão e entrega sem precendentes, tão intensos que passam a ser... normais.

E as surpresas românticas deixam de ser surpresas para se tornarem coisas que a gente espera. E depois coisas que a gente exige. E, obviamente, viram frustrações, porque as nossas caras-metade não pretendem absolutamente viver como príncipes encantados.

Hoje eu acho que eles têm razão.

Como é cansativo ficar cobrando e chorando por essa intensidade maluca e artificial. Que desperdício de energia e de momentos tranquilos felizes. Que equívoco!

Eu culpo as comédias românticas. Queria ser ressarcida pela grana que vai me custar agora consertar a cabeça e as expectativas...

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Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Obrigada, Miriam Goldenberg

"A cultura constrói a mulher muito fragilizada sem um homem. É como se eles fossem objetos disputadíssimos, um objeto fundamental. Enquanto a gente não reverter isso, vamos continuar agindo como loucas, disputando atenção, achando que um telefonema pode mudar a nossa vida.

O que a gente precisa é reverter essa idéia de que uma mulher sem um homem é uma fracassada, uma mulher menos. No dia em que as brasileiras falarem: 'A minha opção é casar e ter filhos', 'a minha opção é não casar e não ter filhos', 'a minha opção é ter um filho sem casar', quando tivermos todo esse cardápio de escolhas, vamos ser livres.

Eu tenho nos meus dados que as mulheres invejam a liberdade masculina. Como pode? Depois de tudo o que a gente avançou? Isso é porque as mulheres não são livres!"


Íntegra da entrevista aqui.

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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Metrópole

Neste fim de semana descobri que é mentira dizer que São Paulo tem tudo o que você precisa 24 horas por dia. Depois de um dia inteiro com meninas, é claro que chegamos à fase de conversar (horas) sobre cabelos. Nossos, das outras, das famosas, das vizinhas, essas coisas de mulher.

E, ao falar de cabelo, tive uma vontade incontrolável de finalmente cortar o meu. Secretamente, eu queria radicalizar. Arriscar todas as fichas no 14 Vermelho, por favor.

Eram cerca de meia-noite de sábado, hora em que parte da cidade está acordando. Eu, Lija e Camile saimos em busca de um sanduiche bom (achamos no Achapa) e de um cabelereiro aberto. A escolha óbvia foi passar de carro pela Rua Augusta, sentido Centro, em busca dos salões que arrumam as mocinhas que lá trabalham.

Achamos dois salões abertos por volta da 1 da manhã. Um estava completamente vazio, sem nem mesmo atendentes. Todos estavam sentados do lado de fora, na calçada. O outro tinha uma rodinha de cadeiras e nelas estavam uns 4 ou 5 travestis loiros com cabelo escovadíssimo, estilo novela da Globo.

Desanimei. Eu sempre olho pro cabelo do profissional antes de colocar o meu nas mãos da pessoa e um salão às moscas e outro cheio de loiras globais wannabe NÃO! Não queria também nenhum salão ultra-mega-modernete. Só um salão normal, mas que ficasse aberto até (muito) tarde.

Uma pena, tive que esperar para cortar nos salões “normais” e perdi o ímpeto de mudança radical...

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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Namorada de amigo meu

Mais um assunto polêmico, as namoradas dos amigos. Estive refletindo nisso desde que uma delas, que hoje é amiga e ponto, independente do namorado, me falou sobre o quão intimidante foram os primeiros dias de convívio com as melhores amigas dele.

É realmente complicado conviver com as amigas do namorado. Eu estive muito mais do outro lado do que enquanto a nova namorada e digo que é uma situação delicada de qualquer jeito. Quando seu melhor amigo arruma uma namorada com quem você não se dá bem, é difícil. Inevitavelmente, o amigo se afasta e você fica naquela situação chata de não poder nem reclamar, porque quer a felicidade dele.

Horrível confessar, mas muitas vezes há uma comemoração secreta quando o namoro acaba. Especialmente se o amigo não está sofrendo muito, porque sofrimento nunca tráz comemoração. Enfim, namoradas de amigos são um assunto complicado.

É por isso que eu realmente adoro quando uma delas vira uma amiga tão querida que só de olhar a foto fico com saudades. Se fosse possível, queria ver todos os meus queridos com namoradas excelentes. E as queridas amigas também, só que elas já estão quase todas muito bem encaminhadas ;)

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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Mulheres são um saco!

Eu grito isso aos quatro ventos, sempre que me dão motivo.

É verdade, eu acho mulher um porre. Dissimuladas, frescas, paranóicas, loucas e chatas. O grande mistério da vida, pra mim, são as lésbicas: como mulheres conseguem gostar de mulheres? Sabendo o HORROR que é a cabeça de uma de nós, qualquer pessoa em sã consciência fugiria. Os homens a gente perdoa, deve faltar alguma coisa no cérebro deles mesmo, de nascença. ;)

Os homens são práticos, admiráveis. Não procuram pêlo em ovo, não são tão indecisos. São leais aos princípios e aos amigos. Fazem xixi em pé, ora vejam vocês!

Bem, achando as mulheres um porre do jeito que eu acho, é realmente um EVENTO eu ter duas amigas como a Rach e a Helena. Acredito que amo tanto as duas porque bastante de nossa relação consiste em dar tapas e puxões de orelha figurativos umas nas outras quando as piores características femininas começam a querer aflorar na gente.

Tá paranóica? *PAF* Tá de frescura? *PAF* Pensou em dissimular? *PAF*

E por aí vai. Eu sei que elas duas me fazem uma pessoa melhor. E eu tento colaborar pra fazer delas pessoas ainda mais maravilhosas do que já são. E no caminho a gente ri, chora, se abraça, conversa, se ajuda, dá bronca e se ama demaaaais.

Mulheres são um saco, mas têm jeito: só precisam ser bem treinadas! ;)

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