Medo
Tem uma mulher no meu trabalho que dá aulas para a pós-graduação de uma faculdade conceituada aqui de São Paulo. Ela conta que uma das orientandas dela fez uma tese sobre o quando conseguia-se saber da vida alheia pela internet, partindo de um ponto muito simples: o nome completo da pessoa. Ela fazia rodadas de pesquisa com um tempo determinado para cada indivíduo que decidia pesquisar. No fim das contas ela descobriu coisa pra caramba, tipo endereço, telefone, quantos filhos tinha, onde tinha passado as férias, onde trabalhava, blá blá blá.
Até aí, morreu neves (adoro expressões que eu não sei o significado/explicação). A gente já sabe o quanto tá exposto. Cada nova "turma" de usuários da internet tá mais e mais exposta. E acostumada com isso. Nem se incomoda com a exposição. Até acha legal. Até tenta se expor cada vez mais. Oquei. Assim é o mundo moderno. Eu sei, você sabe, vovó sabe, até quem assiste Fantástico já sabe.
Mas não deixo de me perturbar quando "sem querer" (eu devia colocar mais três quilos de aspas nesse sem querer) acabo descobrindo coisas sobre as pessoas. Fazendo conexões estranhas, fuçando e fuçando até inevitavelmente descobrir algo que me desagrada. Ou que me assusta. Ou que me embrulha o estômago. Porque se você pega um nome aleatório numa lista de vestibular e sai pesquisando só pra ver até onde dá pra chegar, como fez a menina da tese de mestrado lá de cima, as possibilidades de você descobrir que aquela pessoa é ex-namorada do seu vizinho da casa da praia já são grandes, imagina quando você começa pesquisar alguém que você conhece. Ou que seus amigos conhecem. Ou a ex-namorada do seu vizinho.
A possibilidade de você se surpreender (ou de alguma coisa feder) são imeeeensas.
Às vezes eu acho que a saída é mudar pro Sri Lanka sem deixar rastros. Mas ainda assim, as chances de ouvir um "ó lá a Ligelena!" são só um pouco menores do que as chances de ouvir isso em SP, no meio da rua, de madrugada no Centro de São Paulo.
Enfim.
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