BlogBlogs.Com.Br

Nós três

Três amigas. Três mulheres. Nós três.

Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Represas

Confesso que às vezes meu peito é como uma grande represa. A cada dia, deixo mais uma gotinha ser depositada ali e me calo. Abro um sorriso vazio, engulo as palavras e dou um consentimento contrário à minha vontade antes mesmo de ter tempo de refletir. É um tipo de covardia, um medo irracional de situações de confronto e momentos desagradáveis. E pior: tenho visto muita gente em situação parecida com a minha.

O problema não é apenas se a anular, o problema é que toda represa precisa de um alívio senão ela estoura. A torrente de palavras feias que sai dali é chocante para quem não tinha nem idéia de que existia um desconforto. Isso me incomoda, porque é sempre ruim perder a razão de bobeira, mas pior ainda é efetivamente ser injusta com a(s) pessoa(s) em questão.

Se o interlocutor for do sexo masculino, periga dele não ter nem idéia de que existia um desconforto. Vi essa cena mil vezes até aprender que assim não há relacionamento - seja de trabalho, amizade ou romance - que resista. Não gosto do extremo oposto, que é o barraco. Mas como diz meu querido pai, citando Buda de forma completamente empírica, o equilíbrio é fundamental.

Fica a pergunta: por que a gente faz isso? Eu nunca apanhei por reclamar educadamente de nada. Então por que tanto temor? Por que tanta coisa contida criando fantasmas gigantescos onde só havia uma formiguinha?

Já estive dos dois lados da explosão e sei o quão incompreensível é ver alguém explodindo (aparentemente) do nada, por uma bobagem. Não sou fã de pagar de louca por aí, estou fazendo o que posso - e progredindo bem - para evitar novas represas. Mas eu queria entender. Meninas, luz?

Marcadores: , , , , , ,

Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

A perda

Se tem uma coisa com a qual acredito que ninguém sabe lidar direito é perder pessoas. Hoje uma pessoa muito querida de nós três perdeu alguém de suma importância. Nós vamos lá, dar abraços e simplesmente estar à disposição para o que houver, mas sabemos que não tem muito jeito.

Eu tento não pensar no inevitável momento em que algumas das pessoas que eu mais amo no mundo vão desaparecer. Imagino, por experiência similar, que a dor é inevitável. Se não há como se preparar para isso, melhor não estressar antes do inevitável.

Mas que dói, dói. E tudo o que eu queria agora era poder oferecer alguma coisa além do meu ombro. Ainda bem que a Rach vai estar lá, que ela sabe das coisas e vai ser o maior consolo que alguém poderia querer. Mesmo que não cure. Mesmo que doa sempre.

+++

Eu perdi algumas poucas pessoas na vida, felizmente poucas. Por mais que eu as amasse, sabia que eram idosas e que este era o caminho natural. Não eram meus pais, não eram irmãos, nem gente que se foi de forma violenta. Por que é que é tão difícil aceitar que uns se vão e outros chegam? Dói. Saudades, incompreensão, raiva, tudo junto num mesmo pacote.

+++

Nessas horas, eu só digo uma coisa: eu tô aqui para você. E para vocês todas :*

Marcadores: , , ,

Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Vida fácil?

Depois de uma declaração bombástica da Lija, resolvi postar. A nossa vida é fácil? Quando digo “nossa” quero dizer “moças de classe média média da cidade grande com diploma universitário”.

Talvez pela ótica de uma pessoa que passa fome, seja a mais fácil das vidas. Para um milionário, deve ser uma vida complicada, cheia de malabarismos. Mas é só a grana que define nossas dificuldades?

Oquei, também temos boa saúde. Ou quase. Nada fisicamente grave, pelo menos. Eu poderia argumentar que somos malucas, mas não somos o suficiente para que seja um problemaço. Somos só maluquinhas-padrão.

Então por que tudo parece sempre tão difícil? Somos nós que dificultamos as coisas?

Minha irmã sempre diz que é impossível comparar problemas e eu acho que ela tem razão. É claro que eu não saberia sustentar uma família com salário mínimo. Mas será que a pessoa que faz isso saberia fazer melhor no meu lugar, com a minha história?

As minhas ferramentas para lidar com problemas são diferentes das outras pessoas. Eu tento melhorar, claro, lidar melhor com as coisas corriqueiras. Para isso conto com o excelente *paf* das amigas.

Mas resta a pergunta... como medir? Devo começar a me sentir culpada djá pelos meus problemas?

Marcadores: , , , ,

Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Mulheres são um saco!

Eu grito isso aos quatro ventos, sempre que me dão motivo.

É verdade, eu acho mulher um porre. Dissimuladas, frescas, paranóicas, loucas e chatas. O grande mistério da vida, pra mim, são as lésbicas: como mulheres conseguem gostar de mulheres? Sabendo o HORROR que é a cabeça de uma de nós, qualquer pessoa em sã consciência fugiria. Os homens a gente perdoa, deve faltar alguma coisa no cérebro deles mesmo, de nascença. ;)

Os homens são práticos, admiráveis. Não procuram pêlo em ovo, não são tão indecisos. São leais aos princípios e aos amigos. Fazem xixi em pé, ora vejam vocês!

Bem, achando as mulheres um porre do jeito que eu acho, é realmente um EVENTO eu ter duas amigas como a Rach e a Helena. Acredito que amo tanto as duas porque bastante de nossa relação consiste em dar tapas e puxões de orelha figurativos umas nas outras quando as piores características femininas começam a querer aflorar na gente.

Tá paranóica? *PAF* Tá de frescura? *PAF* Pensou em dissimular? *PAF*

E por aí vai. Eu sei que elas duas me fazem uma pessoa melhor. E eu tento colaborar pra fazer delas pessoas ainda mais maravilhosas do que já são. E no caminho a gente ri, chora, se abraça, conversa, se ajuda, dá bronca e se ama demaaaais.

Mulheres são um saco, mas têm jeito: só precisam ser bem treinadas! ;)

Marcadores: , , ,

Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Iniciando os trabalhos

Há muito tempo falamos de ter este blog coletivo e não nos mexemos. A proposta inicial era um podcast coletivo, ficou difícil por causa de tempo, virou blog e veio parar aqui. O importante é que somos nós três, nos amamos e queremos conversar. Mas não só entre nós, é claro, senão manteríamos uma troca intensa de e-mails. Queremos comentários e queremos temas e temos planos. Pensamos no futuro.

Mas agora acho que sei como começar. É uma declaração de amor às outras duas, é um agradecimento e também um pontapé inicial. Afinal, é muito raro encontrar mocinhas como as duas co-autoras deste blog e as relações entre mulheres heterosexuais são notoriamente complicadas.

Por que será que é tão difícil se relacionar com outras mulheres? Por que a amizade com meninas demanda tanto esforço e tem tanta probabilidade de acabar mal?

Muitos respondem que é por causa de homens que entram no meio de duas ou mais. Concordo, mas vou muito além. Normalmente não precisamos de homens para nos levar ao conflito, fazemos isso sozinhas.

Somos ciumentas, competitivas, fofoqueiras e maldosas. Sabemos dizer exatamente o que machuca mais as nossas amigas. E, no meio disso, surge este amor intenso, a confiança completa nessas duas moças. Nós compartilhamos nossas vidas, nossas felicidades e, surpreendentemente, nossos medos. Mostramos o bom e o ruim, buscamos conselhos e colo.

Infelizmente, a maior parte das minhas experiências anteriores com amigas não foi assim. Boas amigas foram sempre minoria e eu sempre preferi amigos homens exatamente para evitar o desgaste da convivência feminina, além de toda a paranóia que vem acoplada às mulheres.

Repito: por que é tão difícil, se somos loucas iguaizinhas?

Boa parte do problema é que mulheres são treinadas para sonhar em serem admiradas por outras mulheres. E não há público mais difícil, volúvel e exigente, confesso. Nem as perfeitas agradam, exatamente por serem perfeitas. Tudo é um problema e causa a maldita mágoa, a medonha inveja ou o simples desprezo.

Com o tempo, qualquer saia que cause polêmica pode ser catalisadora de uma ruptura agressiva. Ou qualquer olhadela para o namorado alheio. No fim das contas, mulheres não confiam em si mesmas e sabem de seu próprio potencial para o mal. E, a partir disto, julgam todas as outras pelo mesmo parâmetro.

Que saco.

Marcadores: ,