BlogBlogs.Com.Br

Nós três

Três amigas. Três mulheres. Nós três.

Sexta-feira, 30 de Março de 2007

Romance


Eu culpo as comédias românticas, sabe? Sempre houve o romantismo, de uma forma ou outra. Na nossa geração, os sonhos românticos são melhor representados pelas comédias românticas. Nascemos com elas, crescemos com elas e passamos a vida nos rendendo a elas.

E qual é o resultado? Passamos a acreditar - sem que a razão seja envolvida - que amor de verdade é aquele em que o cara foge da polícia para te encontrar no topo do Empire State Building em Nova York. Ou que você só vai saber que ele realmente te ama quando abandonar toda uma vida num lugar para dividir uma choupana com você no meio do deserto em algum lugar.

Coisas extremas, irresponsáveis e extremamente sedutoras. Coisas que fazem a gente, mulheres-meninas, sentir que somos as mais especiais do universo, inigualáveis, escolhidas pelas estrelas. E, como filmes mostram um tempo editado, o romance é intenso durante as duas horas em que leva para contar uma vida inteira. São arroubos de paixão e entrega sem precendentes, tão intensos que passam a ser... normais.

E as surpresas românticas deixam de ser surpresas para se tornarem coisas que a gente espera. E depois coisas que a gente exige. E, obviamente, viram frustrações, porque as nossas caras-metade não pretendem absolutamente viver como príncipes encantados.

Hoje eu acho que eles têm razão.

Como é cansativo ficar cobrando e chorando por essa intensidade maluca e artificial. Que desperdício de energia e de momentos tranquilos felizes. Que equívoco!

Eu culpo as comédias românticas. Queria ser ressarcida pela grana que vai me custar agora consertar a cabeça e as expectativas...

Marcadores: , , , , , ,

Quarta-feira, 28 de Março de 2007

Simplicidades

Às vezes é tão fácil deixar uma mulher feliz.

Mesmo depois de um dia cheio de idas e vindas, muito trabalho, notícias ruins e de barras de chocolate passeando por perto enquanto você não pode comer, eis que eu chego em casa e está passando Notting Hill na tevê.

Nada como uma comédia romântica com música bonita e o sorriso do Hugh Grant pra fazer você voltar aos 16 anos. A diferença é que naquele tempo o amor era apenas uma idéia, uma expectativa dos anos que estavam por vir.

Às vezes a idéia é melhor que a conquista.

Simples assim.

Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Represas

Confesso que às vezes meu peito é como uma grande represa. A cada dia, deixo mais uma gotinha ser depositada ali e me calo. Abro um sorriso vazio, engulo as palavras e dou um consentimento contrário à minha vontade antes mesmo de ter tempo de refletir. É um tipo de covardia, um medo irracional de situações de confronto e momentos desagradáveis. E pior: tenho visto muita gente em situação parecida com a minha.

O problema não é apenas se a anular, o problema é que toda represa precisa de um alívio senão ela estoura. A torrente de palavras feias que sai dali é chocante para quem não tinha nem idéia de que existia um desconforto. Isso me incomoda, porque é sempre ruim perder a razão de bobeira, mas pior ainda é efetivamente ser injusta com a(s) pessoa(s) em questão.

Se o interlocutor for do sexo masculino, periga dele não ter nem idéia de que existia um desconforto. Vi essa cena mil vezes até aprender que assim não há relacionamento - seja de trabalho, amizade ou romance - que resista. Não gosto do extremo oposto, que é o barraco. Mas como diz meu querido pai, citando Buda de forma completamente empírica, o equilíbrio é fundamental.

Fica a pergunta: por que a gente faz isso? Eu nunca apanhei por reclamar educadamente de nada. Então por que tanto temor? Por que tanta coisa contida criando fantasmas gigantescos onde só havia uma formiguinha?

Já estive dos dois lados da explosão e sei o quão incompreensível é ver alguém explodindo (aparentemente) do nada, por uma bobagem. Não sou fã de pagar de louca por aí, estou fazendo o que posso - e progredindo bem - para evitar novas represas. Mas eu queria entender. Meninas, luz?

Marcadores: , , , , , ,

Obrigada, Miriam Goldenberg

"A cultura constrói a mulher muito fragilizada sem um homem. É como se eles fossem objetos disputadíssimos, um objeto fundamental. Enquanto a gente não reverter isso, vamos continuar agindo como loucas, disputando atenção, achando que um telefonema pode mudar a nossa vida.

O que a gente precisa é reverter essa idéia de que uma mulher sem um homem é uma fracassada, uma mulher menos. No dia em que as brasileiras falarem: 'A minha opção é casar e ter filhos', 'a minha opção é não casar e não ter filhos', 'a minha opção é ter um filho sem casar', quando tivermos todo esse cardápio de escolhas, vamos ser livres.

Eu tenho nos meus dados que as mulheres invejam a liberdade masculina. Como pode? Depois de tudo o que a gente avançou? Isso é porque as mulheres não são livres!"


Íntegra da entrevista aqui.

Marcadores: , , ,

Domingo, 11 de Março de 2007

Impressões

Vocês param pra pensar nas impressões que as outras pessoas têm de vocês? Vocês gastam tempo pensando no que os outros pensam de vocês? Não de uma forma negativa, do tipo deixar de fazer determinadas coisas pelo que podem pensar, etc etc etc. Mas vocês têm a curiosidade de saber qual a opinião real das outras pessoas sobre vocês?

Estava mais cedo conversando com a Helena e falando sobre isso... que eu tenho muita curiosidade em saber o que passa na cabeça das outras pessoas quando elas se referem a mim. Acho que eu tenho uma idéia muito distorcida, dadas as coisas que diferentes pessoas me dizem e que me surpreendem sempre.

Outro dia eu ouvi que eu não parecia ter 24 anos, já que no trabalho eu passava um ar de seriedade e responsabilidade que levavam as pessoas a crer que eu já tinha uns 28. Além de não entender essa conexão idade - responsabilidade no trabalho (afinal responsável eu sempre fui desde que comecei a trabalhar, lá se vão quase 10 anos), achei engraçada a observação. Nunca achei que eu passasse uma imagem assim, predominantemente confiável. Na verdade sempre me achei moleca demais, das que acaba conquistando a simpatia do baixo escalão e não necessariamente a confiança do alto escalão. Que bom que eu "engano bem". ;)

Ontem o que me disseram, quando eu cheguei ao aniversário de dois amigos meus na Choperia Liberdade, foi que eu parecia ter dois metros de altura. Não entendi. Po, eu tava de sandália rasteirinha, um-metro-e-setenta-e-pouco. Fui perguntar o que minha amiga tinha querido dizer com isso, e a explicação foi: "Quando você chega, não dá pra não te notar. Você se impõe, toma conta do lugar". Logo eu, que em 99% das situações me sinto um verdadeiro peixe fora d'água, inapropriada e pior: que sempre acaba chamando a atenção por quebrar um copo, tropeçar em uma cadeira ou algo assim.

No fim das contas eu sempre fico em dúvida se as pessoas estão sendo sinceras. Ou penso que eu tenho uma imagem muito errada de mim mesmo. Ou que eu engano as pessoas bem, já que no íntimo, geralmente, eu me sinto o oposto do que tenho ouvido por aí.

Marcadores: , , ,

Segunda-feira, 5 de Março de 2007

O Mistério da Beleza

Se há uma coisa que eu nunca ouvi nenhuma mulher casada reclamar é da falta de privacidade para os momentos de, humm, digamos, "manutenção da beleza".

Eu moro junto há um mês e pouquinho agora. E desde a segunda semana tenho uma caixa novinha de tinta de cabelo esperando para ser usada. Pronto, dilema.

Porque tá bom que a gente namora há quase quatro anos, todo um amor e relacionamento baseado em sentimentos e vivências profundas e lances. Ainda assim eu acho desnecessário que ele me veja pintando o cabelo. Não que ele vá deixar de me amar por isso, mas pra quê? E fazendo depilação? Fazendo a unha do pé? Grandes sabotadores de tesão.

Uma das coisas mais legais do namoro é a surpresa. Mesmo depois de muito tempo namorando, sempre tem aquele dia que você capricha na roupa, no perfume, que se arruma melhor pra sair e o outro repara, elogia. E aí que me preocupa perder a magia, sabe?

Porque a gente já acorda junto todos os dias... Onde vai ficar a surpresa? Acho que vou instituir que cada um use um banheiro para se vestir antes de sair. Será que funciona?

Aí hoje aproveitei que ele está de plantão e tirei a noite pra pintar o cabelo finalmente :)