A banalização da fé?
Eu não gosto de salões de beleza. Em geral me remetem a sofrimento (depilação, alguém? virilha completa, hmn? alguém?), futilidade e gastança de dinheiro com coisas absolutamente supérfluas. Mas de vez em quando eu tenho que me render a esses estabelecimentos comerciais, já que eu tenho sobrancelhas padrão Ana Paula Arósio, mas sem maquiadores da Globo pra acertarem elas todos os dias.
Então que hoje pela manhã, antes de ir pro trabalho, fui até o salão perto de casa fazer mão, pé e sobrancelha. Sabe como é, fim de semana chegando, ninguém merece ver uma orangotanga horrorosa em seus momentos de descanso.
O salão lá perto de casa pertence a uma família evangélica. É o cabelereiro evangélico hétero (porque ser gay não é de Deus), a mãe do cabeleireiro, a esposa do cabeleireiro, que é minha eyebrow designer (depiladora de sobrancelha), a cunhada do cabeleireiro, o irmão do cabeleireiro... e por aí vai. Todos evangélicos.
Eu já ouvi tantos absurdos lá. Desde a manicure que é fã de DIANTE DO TRONO até a assistente de cabeleireiro que ficou horrorizada com a Parada Gay... mas hoje foi a gota d'água.
Tava indo pro caixa pagar quando a mãe do cabeleireiro me aparece dizendo: "como Deus é grande! Como Deus é bom pra mim! Eu orei tanto e Deus me ajudou!"
Aí a manicure veio e perguntou: "o que houve?"
E a mãe do cabeleireiro: "Deus é grande! Olha só, esse vendedor de tábua de passar não vinha aqui desde ano passado e agora que eu preciso de uma nova ele apareceu!"
Oi?
Deus é grande e bom e atendeu suas preces colocando um vendedor de tábua de passar no seu caminho?
Juro que me deu vontade de golfar.




