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Nós três

Três amigas. Três mulheres. Nós três.

Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

A banalização da fé?

Eu não gosto de salões de beleza. Em geral me remetem a sofrimento (depilação, alguém? virilha completa, hmn? alguém?), futilidade e gastança de dinheiro com coisas absolutamente supérfluas. Mas de vez em quando eu tenho que me render a esses estabelecimentos comerciais, já que eu tenho sobrancelhas padrão Ana Paula Arósio, mas sem maquiadores da Globo pra acertarem elas todos os dias.

Então que hoje pela manhã, antes de ir pro trabalho, fui até o salão perto de casa fazer mão, pé e sobrancelha. Sabe como é, fim de semana chegando, ninguém merece ver uma orangotanga horrorosa em seus momentos de descanso.

O salão lá perto de casa pertence a uma família evangélica. É o cabelereiro evangélico hétero (porque ser gay não é de Deus), a mãe do cabeleireiro, a esposa do cabeleireiro, que é minha eyebrow designer (depiladora de sobrancelha), a cunhada do cabeleireiro, o irmão do cabeleireiro... e por aí vai. Todos evangélicos.

Eu já ouvi tantos absurdos lá. Desde a manicure que é fã de DIANTE DO TRONO até a assistente de cabeleireiro que ficou horrorizada com a Parada Gay... mas hoje foi a gota d'água.

Tava indo pro caixa pagar quando a mãe do cabeleireiro me aparece dizendo: "como Deus é grande! Como Deus é bom pra mim! Eu orei tanto e Deus me ajudou!"

Aí a manicure veio e perguntou: "o que houve?"

E a mãe do cabeleireiro: "Deus é grande! Olha só, esse vendedor de tábua de passar não vinha aqui desde ano passado e agora que eu preciso de uma nova ele apareceu!"



Oi?

Deus é grande e bom e atendeu suas preces colocando um vendedor de tábua de passar no seu caminho?

Juro que me deu vontade de golfar.

Romance


Em tempos modernos, essa tirinha que a Lija me mandou ontem é extremamente apropriada. E o final é tão "All you need is love"...

Alguém me disse que pela internet a gente se apaixona pela essência da outra pessoa. Eu acredito em parte. Acho que a gente se apaixona um pouco pela essência que transparece e um pouco pelo melhor que o outro tenta mostrar.

Sou sempre a favor de mostrar o melhor.

E fica a tirinha engraçadinha para alegrar a semana enquanto a sexta-feira não vem.
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

Metrópole

Neste fim de semana descobri que é mentira dizer que São Paulo tem tudo o que você precisa 24 horas por dia. Depois de um dia inteiro com meninas, é claro que chegamos à fase de conversar (horas) sobre cabelos. Nossos, das outras, das famosas, das vizinhas, essas coisas de mulher.

E, ao falar de cabelo, tive uma vontade incontrolável de finalmente cortar o meu. Secretamente, eu queria radicalizar. Arriscar todas as fichas no 14 Vermelho, por favor.

Eram cerca de meia-noite de sábado, hora em que parte da cidade está acordando. Eu, Lija e Camile saimos em busca de um sanduiche bom (achamos no Achapa) e de um cabelereiro aberto. A escolha óbvia foi passar de carro pela Rua Augusta, sentido Centro, em busca dos salões que arrumam as mocinhas que lá trabalham.

Achamos dois salões abertos por volta da 1 da manhã. Um estava completamente vazio, sem nem mesmo atendentes. Todos estavam sentados do lado de fora, na calçada. O outro tinha uma rodinha de cadeiras e nelas estavam uns 4 ou 5 travestis loiros com cabelo escovadíssimo, estilo novela da Globo.

Desanimei. Eu sempre olho pro cabelo do profissional antes de colocar o meu nas mãos da pessoa e um salão às moscas e outro cheio de loiras globais wannabe NÃO! Não queria também nenhum salão ultra-mega-modernete. Só um salão normal, mas que ficasse aberto até (muito) tarde.

Uma pena, tive que esperar para cortar nos salões “normais” e perdi o ímpeto de mudança radical...

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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Folia

Eu sempre fui anti-carnaval. Vem de berço, ninguém em casa gosta de festas populares, multidão, calor... Viajávamos quando eu era pequena, minha mãe me levou a alguns bailinhos, minha avó costurava fantasias lindas para mim.

E aí eu cresci e me tornei a pessoa mais radical do Brasil. E o carnaval entrou junto com o futebol no quesito "ópio do povo", me recusava a compactuar com isso. Até entrar na faculdade, quando meu corpo foi temporariamente possuído pelo espírito de outra pessoa. Fui para Diamantina no carnaval, acampei numa casa sem móveis, toquei surdo na banda da cidade e tinha até camiseta brega com o nome do bloco.

Fiquei impressionada com o nível de diversão, mas ainda não era a minha hora de realmente entender. Este ano eu finalmente entendi a graça do carnaval indo aos blocos mais família da cidade. Gente de todas as idades, com fantasias de verdade, pulando e soltando confetti. Gente bêbada se beijando encostada em árvores, gente sorrindo e fazendo trenzinho no meio da rua. Gente fugindo? Sim. Gente tapando o sol com a peneira? Sim.

Mas tem algo que palavra nenhuma consegue explicar e que acaba justificando tudo isso, que é a sensação de se estar abraçada com desconhecidos, cantando músicas da época da minha avó, suada, sorrindo e tomar um banho de confetti e água gelada, sem se preocupar, sem nenhuma tensão. Só um sorriso que não surgia há anos e que fica estampado nas fotos como prova cabal de que o carnaval precisa existir e pode ser a coisa mais divertida do planeta, com o devido cuidado e critério.

Diversão com ventinho

Será que depois de velha fiquei mais brasileira?

Para mim, o carnaval 2007 foi uma representação de felicidade. Os pulinhos ao som da bateria vieram de dentro de mim, acompanhei os blocos com todo meu vigor e tive as melhores companias do mundo para fazer isso. Faz diferença, sabe, ir com as pessoas certas.

Continuo sendo contra o barulho imposto nas pessoas, no entanto. Preferia que todos os blocos e toda a bagunça acontecesse no centro da cidade, onde mora relativamente pouca gente e é bem tranquilo de fechar as ruas para a folia. Ipanema fica mesmo insuportável no carnaval, me arrependi amargamente das poucas vezes em que fui lá. Só o marzão verde, frio e calmo compensou.

E, no fim das contas, são 3 dias de feriado em que todos os seus amigos e pessoas queridas também estão de bobeira...

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Mais sabedoria popular...

... dizem que errar é humano, mas persistir no erro é burrice, né? Bem, erro ou não, como minhas amigas co-autoras desse blog já sabem, eu me meti num namoro à distância. Pela segunda vez na mesma vida.

E aí tou aqui no trabalho, recém-chegada do Rio, com uma ressaca emocional brabíssima, cercada por calendário, anotações de horários e preços de vôos CGH - SDA - CGH e a estranha sensação de que eu já vi esse filme.

Mas pode ser só o sono.

O fato é que depois de muito tempo eu resolvi deixar de racionalizar sensações e sentimentos. Mas como é difícil abandonar hábitos e conceitos que já moravam dentro da minha cabeça havia tanto tempo... como é estranho voltar a planejar coisas que eu achei que já tinham sido resolvidas e deixadas pra trás.

É tudo muito novo e dèja vu ao mesmo tempo. E não posso negar que a parte boa é boa demais. Só preciso dar um jeito de tornar a parte ruim mais tranquila até que ela possa ser resolvida de vez. Mas pra isso, vamos esperar as cenas dos próximos capítulos.

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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007

A perda

Se tem uma coisa com a qual acredito que ninguém sabe lidar direito é perder pessoas. Hoje uma pessoa muito querida de nós três perdeu alguém de suma importância. Nós vamos lá, dar abraços e simplesmente estar à disposição para o que houver, mas sabemos que não tem muito jeito.

Eu tento não pensar no inevitável momento em que algumas das pessoas que eu mais amo no mundo vão desaparecer. Imagino, por experiência similar, que a dor é inevitável. Se não há como se preparar para isso, melhor não estressar antes do inevitável.

Mas que dói, dói. E tudo o que eu queria agora era poder oferecer alguma coisa além do meu ombro. Ainda bem que a Rach vai estar lá, que ela sabe das coisas e vai ser o maior consolo que alguém poderia querer. Mesmo que não cure. Mesmo que doa sempre.

+++

Eu perdi algumas poucas pessoas na vida, felizmente poucas. Por mais que eu as amasse, sabia que eram idosas e que este era o caminho natural. Não eram meus pais, não eram irmãos, nem gente que se foi de forma violenta. Por que é que é tão difícil aceitar que uns se vão e outros chegam? Dói. Saudades, incompreensão, raiva, tudo junto num mesmo pacote.

+++

Nessas horas, eu só digo uma coisa: eu tô aqui para você. E para vocês todas :*

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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2007

Vida fácil?

Depois de uma declaração bombástica da Lija, resolvi postar. A nossa vida é fácil? Quando digo “nossa” quero dizer “moças de classe média média da cidade grande com diploma universitário”.

Talvez pela ótica de uma pessoa que passa fome, seja a mais fácil das vidas. Para um milionário, deve ser uma vida complicada, cheia de malabarismos. Mas é só a grana que define nossas dificuldades?

Oquei, também temos boa saúde. Ou quase. Nada fisicamente grave, pelo menos. Eu poderia argumentar que somos malucas, mas não somos o suficiente para que seja um problemaço. Somos só maluquinhas-padrão.

Então por que tudo parece sempre tão difícil? Somos nós que dificultamos as coisas?

Minha irmã sempre diz que é impossível comparar problemas e eu acho que ela tem razão. É claro que eu não saberia sustentar uma família com salário mínimo. Mas será que a pessoa que faz isso saberia fazer melhor no meu lugar, com a minha história?

As minhas ferramentas para lidar com problemas são diferentes das outras pessoas. Eu tento melhorar, claro, lidar melhor com as coisas corriqueiras. Para isso conto com o excelente *paf* das amigas.

Mas resta a pergunta... como medir? Devo começar a me sentir culpada djá pelos meus problemas?

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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Eu sou você amanhã

A gente percebe que a idade está chegando quando começa a repetir os clichês que nos irritavam quando éramos jovens. Como por exemplo: "ah, isso acontece porque você é novinha! Eu já passei por isso, você vai ver".

Eu tenho dito coisas assim diariamente. Trabalhando com pessoas que tem 19, 20, 21 anos, é difícil não dizer. É difícil não reconhecer neles algumas atitudes e sentimentos que eu já deixei pra trás, e agora me vejo no direito de alertá-los, aconselhá-los... como se fosse adiantar alguma coisa. Acho que no máximo o que eu consigo é irritá-los.

Não se doe tanto para o trabalho. Não ligue para o que as pessoas falam, elas sempre vão falar. Não perca tempo com quem não merece, se você não está se divertindo pule fora, seja você mesmo, não sacaneie as pessoas ou será sacaneado de volta...

Clichês são sábios, a gente devia dar mais atenção a eles. ;)

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Alguém entendeu por que a Globeleza este ano está vestida de sobrevivente de acidente de carro?

Não parece que ela está cheia de pinos pelo corpo?

Eu hein.

Retardatária

Meninas, cheguei! Quatro voltas depois, mas cheguei!

Eu estou num momento de começar várias coisas na minha vida. Um casamento, uma casa, novas perspectivas de trabalho, um blog novo. Feels good. Mas dá meda.

Casamento - MEDA. Sim, por mais que seja uma decisão pensada, planejada por meses, na hora que vira verdade parece um soco no estômago. Não no sentido doloroso, porque é bom. Mas você sente as coisas mudando, principalmente quando o cara da NET pergunta o seu grau de parentesco com o assinante e você precisa pensar pra responder "mulher, esposa, sei lá!".

Casa - Ter uma casa sua é lindo. Ficar pensando na cor da cortina, no móvel do canto da sala, no que vai pendurar na parede... Só não é tão lindo ter que efetivamente fazer isso tudo. E a comida?? E a limpeza?? E a barata que aparece no banheiro?? Ainda assim é lindo. Porque é a sua comida. A sua barata! Vire-se. Simples assim.

Trabalho - Uma vez que você tem uma casa (que vai ficar um dia) linda você tira toda a libido que tinha investida no trabalho. A ironia é que, agora que você tem uma casa, não pode exatamente dar tchau para o seu trabalho porque PRECISA do dinheiro. O meu tem me trazido muita insatisfação e dores nas costas (sem piadas infames por favor). Stress. Aí eu estou me sentindo como o George Costanza (não bom!) e fico pensando no que eu posso fazer de bom... Tipo... Eu podia passear com cachorros. Ou escrever sobre programas de TV na internet. Costurar pra fora...

Blog - Minha vontade é falar sobre a vida, o universo e... vocês sabem. Ter a liberdade de fazer meus comentários enxaqueca sobre a roupa das pessoas. Sobre a (nova) vida de casada. Sobre as dificuldades e delícias de ser uma dona de casa de 20 e muitos anos. Sobre meu amor e a falta que eu sinto das minhas amigas queridas por perto.

Feliz por começar :)

Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Namorada de amigo meu

Mais um assunto polêmico, as namoradas dos amigos. Estive refletindo nisso desde que uma delas, que hoje é amiga e ponto, independente do namorado, me falou sobre o quão intimidante foram os primeiros dias de convívio com as melhores amigas dele.

É realmente complicado conviver com as amigas do namorado. Eu estive muito mais do outro lado do que enquanto a nova namorada e digo que é uma situação delicada de qualquer jeito. Quando seu melhor amigo arruma uma namorada com quem você não se dá bem, é difícil. Inevitavelmente, o amigo se afasta e você fica naquela situação chata de não poder nem reclamar, porque quer a felicidade dele.

Horrível confessar, mas muitas vezes há uma comemoração secreta quando o namoro acaba. Especialmente se o amigo não está sofrendo muito, porque sofrimento nunca tráz comemoração. Enfim, namoradas de amigos são um assunto complicado.

É por isso que eu realmente adoro quando uma delas vira uma amiga tão querida que só de olhar a foto fico com saudades. Se fosse possível, queria ver todos os meus queridos com namoradas excelentes. E as queridas amigas também, só que elas já estão quase todas muito bem encaminhadas ;)

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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Isto é um assalto

Ontem eu fui assaltada enquanto estava de carona no carro de uma colega de trabalho. Ela gentilmente ofereceu uma carona até a Avenida Paulista e eu aceitei. Por incrível que pareça, foi o primeiro assalto de verdade que sofri em toda a minha vida, mesmo depois de 25 anos de Rio de Janeiro.

E não foi nada tenebroso como as coisas que a gente lê no jornal, apesar de estar longe de ser uma experiência que eu gostaria de repetir. Foi um moleque, um pivete magrinho que falava muito baixo e pausado. Devia ter entre 9 e 12 anos, no máximo, baixinho, magro. Sem características que o diferenciassem do estereótipo de um pivete de rua.

Ele se aproximou da minha janela (praticamente fechada) e começou a falar pausadamente, olhando para um espaço vazio entre eu e minha colega. "Se acelerar ou fechar a janela ou gritar, dou um tiro em você. Me dá todo o dinheiro, agora. Me dá tudo logo."

Demorei para entender a situação, pois eu estava no meio de um causo qualquer. E confesso que parei dois segundos para avaliar o moleque e tentar ver o quanto ele valia. Não foi uma opção racional, claro, foi uma reação. A única que tive, inclusive. Fiquei olhando para ele e disse, em únissono com a colega, "não tenho nada, cara". Fiz uma expressão facial de lamentação sem muita preocupação e daí ele começou a dizer que valia celular, qualquer coisa, vamos logo com isso.

Minha colega ficou fingindo que ia pegar a bolsa enquanto eu efetivamente abri o bolso da mochila, meti a mão no meu porta dinheiros e tirei as notas que consegue tatear. R$30, descobri depois. Entrei a ele pela frestinha do vidro e virei o rosto, com raiva bem maior do que eu achei que fosse sentir.

Tanta raiva que desejei - com uma certa certeza sádica - coisas muito piores para ele do que ele já tem. Em seguida, veio outro que estava provavelmente junto. Pediu tudo, com o mesmo método, mas nós tivemos que rir, pois não havia mais nada.

Mentira, claro que tinha muita coisa valiosa. Tinha meu PSP, o iPod, o celular, mais dinheiro, meus vales transportes, cartões de crédito, documentos, tudo. Mas não era muita coisa que fosse alimentá-lo aquela noite, ou seja lá o que for que ele queria fazer com coisas valiosas.

Depois, na relativa segurança do lar, fiquei pensando no acontecido. Provavelmente ele não tinha nenhuma arma, mas porque eu iria arriscar? Ao contrário dele, tenho muito a perder. Mas será que ele teria nos escolhido se houvesse um homem no carro? Será que existe alguma forma de se defender deste tipo "light" de violência?

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Quinta-feira, 8 de Fevereiro de 2007

Mulheres são um saco!

Eu grito isso aos quatro ventos, sempre que me dão motivo.

É verdade, eu acho mulher um porre. Dissimuladas, frescas, paranóicas, loucas e chatas. O grande mistério da vida, pra mim, são as lésbicas: como mulheres conseguem gostar de mulheres? Sabendo o HORROR que é a cabeça de uma de nós, qualquer pessoa em sã consciência fugiria. Os homens a gente perdoa, deve faltar alguma coisa no cérebro deles mesmo, de nascença. ;)

Os homens são práticos, admiráveis. Não procuram pêlo em ovo, não são tão indecisos. São leais aos princípios e aos amigos. Fazem xixi em pé, ora vejam vocês!

Bem, achando as mulheres um porre do jeito que eu acho, é realmente um EVENTO eu ter duas amigas como a Rach e a Helena. Acredito que amo tanto as duas porque bastante de nossa relação consiste em dar tapas e puxões de orelha figurativos umas nas outras quando as piores características femininas começam a querer aflorar na gente.

Tá paranóica? *PAF* Tá de frescura? *PAF* Pensou em dissimular? *PAF*

E por aí vai. Eu sei que elas duas me fazem uma pessoa melhor. E eu tento colaborar pra fazer delas pessoas ainda mais maravilhosas do que já são. E no caminho a gente ri, chora, se abraça, conversa, se ajuda, dá bronca e se ama demaaaais.

Mulheres são um saco, mas têm jeito: só precisam ser bem treinadas! ;)

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Quarta-feira, 7 de Fevereiro de 2007

Iniciando os trabalhos

Há muito tempo falamos de ter este blog coletivo e não nos mexemos. A proposta inicial era um podcast coletivo, ficou difícil por causa de tempo, virou blog e veio parar aqui. O importante é que somos nós três, nos amamos e queremos conversar. Mas não só entre nós, é claro, senão manteríamos uma troca intensa de e-mails. Queremos comentários e queremos temas e temos planos. Pensamos no futuro.

Mas agora acho que sei como começar. É uma declaração de amor às outras duas, é um agradecimento e também um pontapé inicial. Afinal, é muito raro encontrar mocinhas como as duas co-autoras deste blog e as relações entre mulheres heterosexuais são notoriamente complicadas.

Por que será que é tão difícil se relacionar com outras mulheres? Por que a amizade com meninas demanda tanto esforço e tem tanta probabilidade de acabar mal?

Muitos respondem que é por causa de homens que entram no meio de duas ou mais. Concordo, mas vou muito além. Normalmente não precisamos de homens para nos levar ao conflito, fazemos isso sozinhas.

Somos ciumentas, competitivas, fofoqueiras e maldosas. Sabemos dizer exatamente o que machuca mais as nossas amigas. E, no meio disso, surge este amor intenso, a confiança completa nessas duas moças. Nós compartilhamos nossas vidas, nossas felicidades e, surpreendentemente, nossos medos. Mostramos o bom e o ruim, buscamos conselhos e colo.

Infelizmente, a maior parte das minhas experiências anteriores com amigas não foi assim. Boas amigas foram sempre minoria e eu sempre preferi amigos homens exatamente para evitar o desgaste da convivência feminina, além de toda a paranóia que vem acoplada às mulheres.

Repito: por que é tão difícil, se somos loucas iguaizinhas?

Boa parte do problema é que mulheres são treinadas para sonhar em serem admiradas por outras mulheres. E não há público mais difícil, volúvel e exigente, confesso. Nem as perfeitas agradam, exatamente por serem perfeitas. Tudo é um problema e causa a maldita mágoa, a medonha inveja ou o simples desprezo.

Com o tempo, qualquer saia que cause polêmica pode ser catalisadora de uma ruptura agressiva. Ou qualquer olhadela para o namorado alheio. No fim das contas, mulheres não confiam em si mesmas e sabem de seu próprio potencial para o mal. E, a partir disto, julgam todas as outras pelo mesmo parâmetro.

Que saco.

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