Folia
Eu sempre fui anti-carnaval. Vem de berço, ninguém em casa gosta de festas populares, multidão, calor... Viajávamos quando eu era pequena, minha mãe me levou a alguns bailinhos, minha avó costurava fantasias lindas para mim.
E aí eu cresci e me tornei a pessoa mais radical do Brasil. E o carnaval entrou junto com o futebol no quesito "ópio do povo", me recusava a compactuar com isso. Até entrar na faculdade, quando meu corpo foi temporariamente possuído pelo espírito de outra pessoa. Fui para Diamantina no carnaval, acampei numa casa sem móveis, toquei surdo na banda da cidade e tinha até camiseta brega com o nome do bloco.
Fiquei impressionada com o nível de diversão, mas ainda não era a minha hora de realmente entender. Este ano eu finalmente entendi a graça do carnaval indo aos blocos mais família da cidade. Gente de todas as idades, com fantasias de verdade, pulando e soltando confetti. Gente bêbada se beijando encostada em árvores, gente sorrindo e fazendo trenzinho no meio da rua. Gente fugindo? Sim. Gente tapando o sol com a peneira? Sim.
Mas tem algo que palavra nenhuma consegue explicar e que acaba justificando tudo isso, que é a sensação de se estar abraçada com desconhecidos, cantando músicas da época da minha avó, suada, sorrindo e tomar um banho de confetti e água gelada, sem se preocupar, sem nenhuma tensão. Só um sorriso que não surgia há anos e que fica estampado nas fotos como prova cabal de que o carnaval precisa existir e pode ser a coisa mais divertida do planeta, com o devido cuidado e critério.

Será que depois de velha fiquei mais brasileira?
Para mim, o carnaval 2007 foi uma representação de felicidade. Os pulinhos ao som da bateria vieram de dentro de mim, acompanhei os blocos com todo meu vigor e tive as melhores companias do mundo para fazer isso. Faz diferença, sabe, ir com as pessoas certas.
Continuo sendo contra o barulho imposto nas pessoas, no entanto. Preferia que todos os blocos e toda a bagunça acontecesse no centro da cidade, onde mora relativamente pouca gente e é bem tranquilo de fechar as ruas para a folia. Ipanema fica mesmo insuportável no carnaval, me arrependi amargamente das poucas vezes em que fui lá. Só o marzão verde, frio e calmo compensou.
E, no fim das contas, são 3 dias de feriado em que todos os seus amigos e pessoas queridas também estão de bobeira...
Marcadores: carnaval, diversão, festa, rio de janeiro


4 Comentários:
Eu pulei dois carnavais na vida.
Acho que você entendeu bem o espírito. Claaaro que não é todo mundo que vive o Carnaval desse jeito bom. Ainda assim é bom, sim. E genuinamente brasileiro.
ano que vem eu quero pular carnaval de verdade... fiquei com invejinha
Carnavaaaaal, desengaaaano...
ano que vem será um carnaval ainda melhor, se a tendência se mantiver como nos últimos anos. você precisa ir pro boitatá, lija!
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