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Nós três

Três amigas. Três mulheres. Nós três.

Sábado, 27 de Outubro de 2007

A eterna dúvida

Toda manhã é o mesmo drama.

Um tira e põe de calças jeans, saias, blusas, camisetas sem mangas em busca da produção mais confortável e adequada para o dia de trabalho pela frente. Em geral saio insatisfeita da frente do espelho. Nada veste mais como antigamente, as calças todas apertam no quadril, as blusas nunca têm o comprimento ideal para a saia certa. Marcam demais a barriga ou as costas ou os braços. Uma briga, sempre.

Aí saio de casa decidida que é aquele o dia pra começar a mudar tudo, a voltar a ter disciplina, a comer direito, a não aceitar os estímulos de chocolate que me oferecem diariamente, a não perder a linha.

Mas o dia vai passando e os níveis de stress aumentando. "Quer um bombom?" ÓBVIO que eu quero. Aí chego em casa à noite tendo certeza de que falhei miseravelmente na minha proposta matinal de ser disciplinada novamente.

É aí que mora a grade questão: preciso mesmo ficar mais magra pra ser feliz? Perder os tão pesados 15 quilos que se apossaram de mim há dois anos e meio vai me fazer sentir mais feliz MESMO?

Pela manhã eu sempre tenho certeza que sim. Cansada, depois de um dia pesado de trabalho e pressão, not so sure.

Porque a minha vida era tão diferente há dois anos e meio. Eu só estudava, chegava em casa cedo, não tinha grana pra jantar fora. Hoje eu trabalho 10 horas por dia (às vezes mais) e compenso grande parte do meu stress em comida boa.

Eu fico pensando... Será que eu consigo ficar feliz com o meu corpo chubbie? Será que alguém consegue?

Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007

Modern-Attached

Aí ontem eu fui lá no evento do Senac Rio Moda que até outro dia se chamava Seminário de Tendências e agora virou Moda+Visão. Desta vez o foco foi o Inverno 2008.

O conteúdo, no entanto, continua o mesmo: estilistas de marcas bacanas levam suas impressões sobre as tendências do mercado de moda, em vários segmentos, para a estação em questão.

As palestras se estruturam de forma parecida: cada profissional faz sua pesquisa em sites e revistas gringos e monta um apanhado de imagens que traduzam o que foi mais visto como tendência. A pesquisa no segmento de lingerie foi feita pela equipe de estilo da qual faço parte. E nós, claro, utilizamos os mesmos recursos que todos os outros.

Se alguém achar de fato interessante, posso resumir o que eu vi por lá:

- Capas de chuva Burberry invadindo o mundo, podendo ser vistas até como vestidos;
- Cintura marcada, fazendo referência ao universo Dior clássico;
- Muito tricot com texturas;
- Xadrez, estampas em preto e branco e cinza;
- Mistura de texturas e tecidos;
- Calça com perna skinny e quadril largo: culotes;
- Matelassê;
- Jeans com aparência metalizada;
- Vestidos e não saias;
- Meias coloridas;
- Calça de cintura alta, mas as de cintura baixa convivendo;
- Macacão e jardineira;
- Jeans com lavagem escura (raw jeans);
- Óculos Ray Ban Celebrity, daquele que o Nix sempre usou;
- Cores fortes e primárias como rosa choque, laranja e azulão, sempre com muito preto acompanhando;
- Ao mesmo tempo muito cinza (quase prata) e tons de gelo;
- Influência 80´s continua. Tão forte que a tendência para as estampas das camisetas é a Ocean Pacific.

Agora posso gongar tudo isso que descrevi acima. Simplesmente por se tratar de blablabla e mimimi. É por isso que o mundinho da moda brasileira é TÃO cansativo e previsível.

Todo mundo bebe da mesma fonte. O que os gringos fazem, a gente vai lá e acha o máximo. Japoneses incluídos quando eu digo gringos. É aquele pensamento cafona de brasileiro que considera tudo que vem de fora o máximo.

Eles têm acesso a matérias primas incríveis que a gente nem sonha ter por aqui? Sim, verdade. Mais uma razão pra que a gente tente buscar o que há de mais original e de qualidade por aqui, pra ficar com menos cara de "primo pobre".

O auditório cheio de gente anotando tudo que o povo dizia que ia "pegar" no inverno que vem. Porque o evento não é de moda, é de comércio. Nada contra moda comercial, pelo contrário, todos somos consumidores. O que irrita é ver o blablabla e o mimimi disfarçado de tendência de comportamento quando na verdade todas aquelas imagens tratam apenas de uma coisa: lançar um novo objeto de desejo pra que você não possa viver sem a sua calça Wide Leg na próxima estação, isso logo depois de ter comprado a sua skinny. (calça Wide Leg, a saber, na época de mamãe chamava-se Boca de Sino).

Moda é mercado. Se os estilistas não lançarem nada de muito diferente da coleção anterior as marcas simplesmente não vão vender e aí o dinheiro não circula e aí fodeu. Tudo bem a busca pela novidade, todo mundo quer ver (e ter) roupa nova e bonita. O chato é a obsolescência disso tudo. A pasteurização. O último grito. A pretensão.

Aí, o momento mais bacana do evento foi já no final, quando a estilista Katia Barros, da Farm, foi lá dizer que pesquisar em sites e revistas de moda é legal sim, mas que cada marca deveria primeiro pensar no que quer fazer, no que julga ser bonito e simplesmente ir lá e fazer. Esquecer um pouco do que a Prada fez (porque se a Prada fez é lei) e pensar no seu cliente, no seu clima, no seu universo. Aí a coisa fica mais lúdica e algum suspiro de criatividade pode vir à tona.

O que é mais engraçado é que isso foi dito pela estilista de uma marca super comercial, que vende horrores pra gente de todas as idades no Brasil inteiro. Isso tudo sem perder a identidade (e a cara) de carioca, brasileira, zona sul, colorida e estampada. Eu considero a Farm um fenômeno. Não só de vendas (porque disso todo mundo sabe) mas de criatividade aliada à preço. Porque ser super inovador e ousado e ter peças conceito custando 2 mil reais, como a Osklen, não é vantagem. Eles mandam bem? Mandam. Mas que são a Prada wannabe dos trópicos, são.

Pena que a moda perdeu a nuance de expressão, atitude e comportamento e ficou apenas com o lado mercadológico, de setor que movimenta altas granas.

Enfim, impressões. E talvez um cadinho de mau humor.

Domingo, 2 de Setembro de 2007

Eu não entendo (e nem eles)

Nosso relacionamento com nossos pais pode ser uma novela. Na verdade É uma novela, um novelão que só termina quando a gente ou eles morrem. Então é um novelão que não tem final feliz, só final triste. Que coisa. Acho que esse é um dos motivos pelos quais eu não quero ter filho (outros vocês podem conferir aqui).

Acontece que "de novo" eu quero sair da casa dos meus pais pra ter minha própria casa. De novo porque ano passado eu saí, passei 4 meses fora e tive que voltar - em partes por conta da chantagem emocional hardcore dos meus pais, em parte porque eu queria juntar dinheiro pra uma viagem que acabou não rolando por motivos de força maior, em parte por causa de um flatmate desagradabilíssimo que tornou o que era muito bom em uma coisa muito horrorosa em um mês.

Olha, eu tenho 25 anos, trabalho desde os 15, tenho meu dinheirinho. Moro longe, gasto boa parte do meu salário em locomoção - gasolina cara, estacionamentos absurdos, fora a manutenção do carro, IPVA, seguro, licenciamento, etc etc etc. Quero morar perto do meu trabalho, da civilização, dos meus amigos. Quero ter meu canto, quero acordar às 4 da manhã e fritar um hamburger se me der vontade sem ninguém me encher o saco! Quero poder fazer o que eu quiser, na hora em que eu quiser. Quero parar de mamar nas tetas de papai e mamãe.

E eles não entendem! Tudo bem eles ficarem tristes, mas gente, eles querem que eu more aqui até quando? Quarenta anos quem sabe? Que deprê! É assim mesmo? TEM QUE ser assim? O que eu faço?

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Segunda-feira, 27 de Agosto de 2007

A visita

Esta semana minha mãe virá a São Paulo para se hospedar na minha casa pela primeira vez desde que me mudei aqui para Higienópolis. Serão apenas dois dias, mas já estou tensa e planejando formas de deixar a casa mais agradável, convidativa, limpa... Vou encher a geladeira de coisas que ela aprova, tirar as casquinhas de sabonete velho das beiras da saboneteira, varrer a casa(!), arrumar a mesa e a cama...

Muito o que fazer, mas sabe que a sensação é boa? Eu sempre quis poder receber minha família na minha casa com conforto e, apesar de ainda estar longe do ideal e eu só poder receber minha mãe por enquanto, estou caminhando para isso. Vai ser bom, um passinho à frente na vida de adulto.

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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007

17 Pessoas

Que o mundo é pequeno todo mundo sabe. O Rio de Janeiro, então, uma noz.

Na universidade eu devo ter tido por volta de 40 professores.

Alguém então me responde por que justo a única professora pra quem eu tive que confessar que não podia fazer a prova final porque tinha comido um space cake na véspera e o efeito ainda não tinha passado conhece a minha sogra?

Por que?

Domingo, 15 de Julho de 2007

Smile Like You Mean It

Ontem eu fui ao casamento mais bonito de todos os tempos.

O cenário perfeito: um jardim em Petrópolis numa tarde fria de julho.

Quando os padrinhos e o noivo entraram esta era a música que tocava. No altar, o noivo pega o violão e canta esta outra enquanto a noiva caminha até ele.

E aí a cerimônia civil começa e metade das convidadas já está chorando. O resto que tinha segurado firme a emoção não resite quando os noivos dizem seus votos um pro outro, dizendo o quanto se amavam. Tudo com muita espontaneidade e uma alegria muito verdadeira.

Na hora de assinar os papéis toca esta aqui. E no fim da cerimônia eles seguem, casados, com esta aqui de fundo.

E a chegada na festa foi com outro clássico.

Melhor exemplo de que é possível fazer de uma cerimônia tradicional (e grande parte das vezes chata e impessoal) uma celebração intimista e emocionante. Porque a vida é feita de amor, amigos, música e momentos assim.


Enfim, muito lindo.



(e eu acho que este foi o post mais mulherzinha que eu já fiz na vida)

Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

Paris, je t'aime


Fui ver o novo filme francófono do pedaço este fim de semana. Paris je t'aime é uma idéia ruim: 20 diretores famoso fazem seu curta e juntam tudo num filme, em teoria, sobre Paris. E sobre o amor. Em Paris. A idéia é ruim porque 20 diretores famosos normalmente têm material para bem mais do que alguns minutos de filme. E 20 curtas diferentes inevitavelmente levam a assuntos diversos e desconexos.

Tudo isso acontece no filme, mas ainda assim vale a pena ir ao cinema. Dos 20, eu gostei muito de poucos. Mas o curta final, que postei no blog pessoal, é algo de tão bonito que vale todo o resto. Fala de uma mulher que já passou dos 40 e visita Paris pela primeira vez. Fala de uma mulher sozinha. Fala de felicidade, de tristeza, da vida, de escolhas. Fala de como viver. Não tem medo de ser ridículo, não tem medo de ser emocionante, não tem medo de se arriscar nos clichês.

É uma mulher vivendo um sonho e tendo uma epifania. É uma mulher que descobre como se sentir viva. Poderia ser em qualquer cidade do mundo, sinceramente. É em Paris porque é uma cidade muito bonita. Mas poderia ser na pracinha aqui da esquina. É reflexão. Eu comecei rindo dela e terminei querendo ser ela. Quero ser feliz como ela consegue, apesar de tudo. Quero me sentir viva como ela se sente.

Tenho certeza de que todas as minhas amigas vão entender este curta e vão se emocionar. É válido para gente de todos os sexos, mas com vocês eu posso compartilhar o que aquela mulher fictícia me fez sentir. E o melhor de tudo: tem o curta de graça no YouTube. Mas é claro que o impacto não é o mesmo da sala escura do cinema. Ainda assim, é válido. É lindo. Vejam e apaixonem-se.

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